"Como todo artista nordestino tenho o pensamento voltado para todos os campos da arte, sou Poeta, Cantador, Compositor, Escritor, Cordelísta, Autor e Diretor de Teatro e ainda arranho no violão!"
Comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=50267045
Recanto das Letras:
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/versosdeluar
Luar do Conselheiro no You Tube !!!
Ragga Repente:http://www.youtube.com/watch?v=7maiO-WxpQE
Luar na TV do Berro, Canal Terra Viva:
http://www.youtube.com/watch?v=O0K_QffTQhY
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
ENTREVISTA COM O MATUTO (LITERATURA DE CORDEL)
A obra: Um exemplo bem humorado de literatura de cordel, Entrevista com o Matuto é uma crítica não só á realidade que nos cerca, mas acima de tudo uma crítica à passividade e o medo de dizer, discutir, argumentar e modificar essa realidade.
Houve numa certa feita
Um causo de dar arrelia
Depois que vi esta história
Danei a fazer poesia
Prá contar prá vozmicês
O que houve aquele dia
Um estudante de jornalismo
Das bandas da capitá
Quis fazer documentário
Com nosso modo de pensar
Procurou Toin Matuto
Pru mode entrevistar
Toin Matuto que era mala
Esperto por natureza
Perguntou pra quê que era
Toda aquela estranheza
E pediu que o playboy falasse
Logo tudo com franqueza
O estudante lhe explicou
Que era coisa sem desfecho
Ele só ia gravar
Suas palavras num despejo
Pois o documentário era
Sobre a opinião do sertanejo
A entrevista era simples
Era só ele responder
O que achava do sistema
O que devia ocorrer
O que devia mudar
O que devia ceder
Toin Matuto, mei cabreiro
Perguntou-lhe num sussurrar
Posso mesmo responder
Sem mesmo me amedrontar
A policia não vai me prender?
O governo não vai me matar?
O estudante lhe sorriu
Disse que não percebia
Algum motivo pra isso
Acontecer-lhe algum dia
Pois pelo amor de Deus!
O que é que ele diria?!
Toin Matuto aceitou
Fazer aquela presepada
Mas por azar do playboy
A coisa ficou engraçada
Já no início deu zebra
Pois já começava errada
Disse o entrevistador
Estou aqui com Toin Matuto
Que mesmo semi-analfabeto
Conhece e entende de tudo
Vamos ouvir a opinião
Do sertanejo resoluto
Pra começo de conversa
Disse virado na desgraça
Semi-analfabeto é você!
É você e sua raça!
Sou é analfabeto todo!
Num há conta que eu faça!
E vou logo lhe dizendo
Já que é mesmo pra dizer
O que penso do sistema
Já que não vão me prender
Não é mesmo todo dia
Que essa chance é de se ter
Começando na política
Ô racinha de ladrão
Quando tu vota e confia
O cabra tá na corrupção
E a cifra que se ouve falar
É só de milhão em milhão
O cabra vota num sujeito
De ideal Socialista
Que quando chega ao poder
Mostra-se um reformista
E se diz social democrata
Eu diria Capitalista
E pra que paga imposto?
Melhor é com a própria mão
Fazer praça e cemitério
Cacimba em mutirão
É só juntar o dinheiro
Pra cuidar do nosso chão
Repara se eu não tô certo
Assim não tem como roubar
Pois agente mesmo pega o dinheiro
Pra compra do materiá
Aí nós juntamo o povo
E começamo a trabaiá
E esse negócio de pagar água?!
Isso é negócio de demente!
A água é nossa, vem da terra
Da pedra ou da nascente
Pro sustento do bicho
Da planta e de toda gente
Pra num falar de vender
Terra a preço de ouro
Matando o povo de fome
Roubando seu maior tesouro
Impede o homem do campo
Ter leite, carne e couro
Sem tratamento de esgoto
Polui-se em qualquer lugar
Penera-se só um pouquinho
Depois já da pra despejar
Mais um emissário submarino
Jogando esgoto no mar
E o nome do aeroporto
De nossa querida Salvador
Que lembrava a luta do povo
Por liberdade e valor
Hoje o novo nome
É o do filho de um senador
Agora vê se ta certo
Marcar horário consciente
Bem marcado, bem certinho
Num bom hospital decente
Para só ser atendido
Após o oitavo paciente!
Sair de lá revortado
Pra pegar um coletivo
E mesmo desempregado
Ou mesmo estudante liso
Ou tu paga, ou tu fica
E calado tu sai vivo
Aí tu junta as moedas
E senta bem paciente
No normal você vai em pé
Aí entra um diabo de um crente
E tu ainda é obrigado
A ouvir o pobre inocente
Esse tal proselitismo
Devia ser proibido
Pois não temo obrigação
De ouvir ensandecido
Apôis quem quiser rezar
Caminho da igreja é conhecido
Aí tu chega em casa
Tua morada de aluguel
Esperando ser aquele
O seu pedacinho de céu
Mas tu ainda tem que ouvir
Uma torre de babel
Vizinho da frente é Arrocha
Degeneração da seresta
Vizinho de traz é Calípso
E ele jura que presta
Vizinho de um lado é um crente
Me diga o que ainda me resta!
O do outro lado é pior
Pois não respeita minha labuta
Quando chego morto em casa
Em todo bairro se escuta
Bradando a toda altura
Aquele pagode de puta!
Se pensas que estou terminando
Apôis estou a começar
Veja o fio de Herculano
Levou uma pisa de matar
A puliça pegou o menino
Com um cigarrim de apertar
Agora veja seu repórte
Como o mundo ta virado
O Crack matando gente
E os puliça ocupado
Batendo em adolescente
Que tava queimando mato
Esse mato eu conheço
Mas desde pequenininho
É coisa boba, sem perigo
Já dei até uns traguinho
O problema são as drogas
Isso sim não tem caminho
E facurdade camarada?!
Ah, essa é bom cê gravar
Cuma é que pode o matuto
Pudê até ela chegar
Se o ensino é uma porquera
Aqui ou na capitá?!
Cumpadi Mané Tiburso
Diz que viu na televisão
Que na Orópa é diferente
Pra entrar não tem eleição
Quando tu terminas o estudo
Vestibular não existe não
Diz que lá remédio é de graça
Escola e computador
O cabra ganha dinheiro
Fazendo seja o que for
Seja branco ou amarelo
Preto, pobre ou cantador
Aliás, no meu saber
O problema ta é no dinheiro
Se esta merda for abolida
Conserta o Brasil inteiro
Voltando o sistema de troca
Evita-se o caloteiro
Cadeia é uma vergonha
Facurdade de ladrão
O ladrão sai assassino
Assassino sai capitão
Pois ou entra pra puliça
Ou volta á vida de cão
Bota os cabra pra produzir!
Tirar do chão alimento
Forjar no aço utensílio
Esculpir na madeira o talento
Aprender a se virar
Pois roubar não é sustento
Aí o povo faz fila
E lota um estádio inteiro
Vendo um monte de macho correndo
Atrás de uma bola o dia inteiro
E quando sai do estádio
Ocorre até tiroteio
Agora veja seu moço
Se eu não tenho mesmo razão
Um monte de babaca e idiota
Brigando em mutirão
Pra protestar se amofina
Quem dirá revolução
Mas se tem um trio elétrico
Aí a putaria é dobrada
Lota mais que visita de Papa
Que, aliás, é a escória sagrada
Escroto capitalista
Da santa igreja malvada
E o exército brasileiro
Que se julga invencível
Levou três pisas dos matutos
De Canudos inesquecível
E hoje no Haiti
Espalha o terror cível
E ainda baixa a cabeça
Para um velho conhecido
Presidente George Bush
Nazista enlouquecido
Esposo de Toni Blair
Seu amante mais querido
Tem dois cabra logo aqui
Na América Latina
Dando exemplo de atitude
Caindo logo pra cima
Enfrentando os inimigo
E promovendo uma faxina
Um momento por favor!
Pediu então o estudante
Deixe-me falar com o senhor
Antes que o senhor se espante
A promessa que lhe fiz
Não posso levar adiante
Se o que diz for veiculado
Garanto que há o que temer
Depois do primeiro parágrafo
Não sei o que pode ocorrer
Eu só sei de uma coisa
Quem vai preso é eu e você!
Peraí que inda tem mais
Meu caro amigo repórte
Tu disse pra eu falar
Tudinho sem medo da morte
Espero que este apareio
Nem uma palavra me corte
O preconceito é outro tema
Que me deixa arreliado
O branco oprime o negro
O índio e o “aziádo”
Mas não é só o povo branco
Que insiste no caminho errado
O negro também se organiza
Em grupos e movimentos
Nos quais branco não entra
E inda ouve xingamento
Não adianta ser militante
Se for branco ou sardento
E o fumante educado?
Apesar de ser fumante
Não fuma em ambiente fechado
Em respeito ao não fumante
Em respeito á criança
Ao idoso e á gestante
Mesmo assim é hostilizado
Pelo idiota não fumante
A fumaça passa longe
Mas a cara é ultrajante
E ainda diz piadinha
É o preconceito ao fumante
E o carro movido a água
Elétrico, purificado?
E a energia solar
Ao alcance do desempregado?
E a Caprinocultura
Com incentivo do Estado?
Neste momento o estudante
Temendo ser retaliado
Pelo discurso letal
Inocente e detalhado
Desligou o aparelho
Onde estava tudo gravado
Falou a Toin Matuto
Que aquilo já estava demais
Pediu que ele elaborasse
Um finalzinho de paz
Ligou novamente o aparelho
E pôs-se a falar o rapaz
Este foi o desabafo
De um pobre matuto do mato
Um pobre ignorante
Com seu modo de vida nato
Retrato da inconsciência
Que o nordeste é relegado
Agora suas palavras finais
Senhor Toin Matuto
O que tens pra finalizar
Teu discurso tão sisudo
(sussurrou por traz da câmera)
Fale de paz ou fique mudo!
Toin então pegou ar
E falou bem docemente
Ignorante é tua mãe
O teu pai certamente
Da próxima vez que vier
Explique mais claramente
Instrua-me a falar
De passarim e céu azul
De flores e borboletas
Gravatá, mandacaru
E só pra finalizar
Um pacífico TUMÁ NO CÚ!
Houve numa certa feita
Um causo de dar arrelia
Depois que vi esta história
Danei a fazer poesia
Prá contar prá vozmicês
O que houve aquele dia
Um estudante de jornalismo
Das bandas da capitá
Quis fazer documentário
Com nosso modo de pensar
Procurou Toin Matuto
Pru mode entrevistar
Toin Matuto que era mala
Esperto por natureza
Perguntou pra quê que era
Toda aquela estranheza
E pediu que o playboy falasse
Logo tudo com franqueza
O estudante lhe explicou
Que era coisa sem desfecho
Ele só ia gravar
Suas palavras num despejo
Pois o documentário era
Sobre a opinião do sertanejo
A entrevista era simples
Era só ele responder
O que achava do sistema
O que devia ocorrer
O que devia mudar
O que devia ceder
Toin Matuto, mei cabreiro
Perguntou-lhe num sussurrar
Posso mesmo responder
Sem mesmo me amedrontar
A policia não vai me prender?
O governo não vai me matar?
O estudante lhe sorriu
Disse que não percebia
Algum motivo pra isso
Acontecer-lhe algum dia
Pois pelo amor de Deus!
O que é que ele diria?!
Toin Matuto aceitou
Fazer aquela presepada
Mas por azar do playboy
A coisa ficou engraçada
Já no início deu zebra
Pois já começava errada
Disse o entrevistador
Estou aqui com Toin Matuto
Que mesmo semi-analfabeto
Conhece e entende de tudo
Vamos ouvir a opinião
Do sertanejo resoluto
Pra começo de conversa
Disse virado na desgraça
Semi-analfabeto é você!
É você e sua raça!
Sou é analfabeto todo!
Num há conta que eu faça!
E vou logo lhe dizendo
Já que é mesmo pra dizer
O que penso do sistema
Já que não vão me prender
Não é mesmo todo dia
Que essa chance é de se ter
Começando na política
Ô racinha de ladrão
Quando tu vota e confia
O cabra tá na corrupção
E a cifra que se ouve falar
É só de milhão em milhão
O cabra vota num sujeito
De ideal Socialista
Que quando chega ao poder
Mostra-se um reformista
E se diz social democrata
Eu diria Capitalista
E pra que paga imposto?
Melhor é com a própria mão
Fazer praça e cemitério
Cacimba em mutirão
É só juntar o dinheiro
Pra cuidar do nosso chão
Repara se eu não tô certo
Assim não tem como roubar
Pois agente mesmo pega o dinheiro
Pra compra do materiá
Aí nós juntamo o povo
E começamo a trabaiá
E esse negócio de pagar água?!
Isso é negócio de demente!
A água é nossa, vem da terra
Da pedra ou da nascente
Pro sustento do bicho
Da planta e de toda gente
Pra num falar de vender
Terra a preço de ouro
Matando o povo de fome
Roubando seu maior tesouro
Impede o homem do campo
Ter leite, carne e couro
Sem tratamento de esgoto
Polui-se em qualquer lugar
Penera-se só um pouquinho
Depois já da pra despejar
Mais um emissário submarino
Jogando esgoto no mar
E o nome do aeroporto
De nossa querida Salvador
Que lembrava a luta do povo
Por liberdade e valor
Hoje o novo nome
É o do filho de um senador
Agora vê se ta certo
Marcar horário consciente
Bem marcado, bem certinho
Num bom hospital decente
Para só ser atendido
Após o oitavo paciente!
Sair de lá revortado
Pra pegar um coletivo
E mesmo desempregado
Ou mesmo estudante liso
Ou tu paga, ou tu fica
E calado tu sai vivo
Aí tu junta as moedas
E senta bem paciente
No normal você vai em pé
Aí entra um diabo de um crente
E tu ainda é obrigado
A ouvir o pobre inocente
Esse tal proselitismo
Devia ser proibido
Pois não temo obrigação
De ouvir ensandecido
Apôis quem quiser rezar
Caminho da igreja é conhecido
Aí tu chega em casa
Tua morada de aluguel
Esperando ser aquele
O seu pedacinho de céu
Mas tu ainda tem que ouvir
Uma torre de babel
Vizinho da frente é Arrocha
Degeneração da seresta
Vizinho de traz é Calípso
E ele jura que presta
Vizinho de um lado é um crente
Me diga o que ainda me resta!
O do outro lado é pior
Pois não respeita minha labuta
Quando chego morto em casa
Em todo bairro se escuta
Bradando a toda altura
Aquele pagode de puta!
Se pensas que estou terminando
Apôis estou a começar
Veja o fio de Herculano
Levou uma pisa de matar
A puliça pegou o menino
Com um cigarrim de apertar
Agora veja seu repórte
Como o mundo ta virado
O Crack matando gente
E os puliça ocupado
Batendo em adolescente
Que tava queimando mato
Esse mato eu conheço
Mas desde pequenininho
É coisa boba, sem perigo
Já dei até uns traguinho
O problema são as drogas
Isso sim não tem caminho
E facurdade camarada?!
Ah, essa é bom cê gravar
Cuma é que pode o matuto
Pudê até ela chegar
Se o ensino é uma porquera
Aqui ou na capitá?!
Cumpadi Mané Tiburso
Diz que viu na televisão
Que na Orópa é diferente
Pra entrar não tem eleição
Quando tu terminas o estudo
Vestibular não existe não
Diz que lá remédio é de graça
Escola e computador
O cabra ganha dinheiro
Fazendo seja o que for
Seja branco ou amarelo
Preto, pobre ou cantador
Aliás, no meu saber
O problema ta é no dinheiro
Se esta merda for abolida
Conserta o Brasil inteiro
Voltando o sistema de troca
Evita-se o caloteiro
Cadeia é uma vergonha
Facurdade de ladrão
O ladrão sai assassino
Assassino sai capitão
Pois ou entra pra puliça
Ou volta á vida de cão
Bota os cabra pra produzir!
Tirar do chão alimento
Forjar no aço utensílio
Esculpir na madeira o talento
Aprender a se virar
Pois roubar não é sustento
Aí o povo faz fila
E lota um estádio inteiro
Vendo um monte de macho correndo
Atrás de uma bola o dia inteiro
E quando sai do estádio
Ocorre até tiroteio
Agora veja seu moço
Se eu não tenho mesmo razão
Um monte de babaca e idiota
Brigando em mutirão
Pra protestar se amofina
Quem dirá revolução
Mas se tem um trio elétrico
Aí a putaria é dobrada
Lota mais que visita de Papa
Que, aliás, é a escória sagrada
Escroto capitalista
Da santa igreja malvada
E o exército brasileiro
Que se julga invencível
Levou três pisas dos matutos
De Canudos inesquecível
E hoje no Haiti
Espalha o terror cível
E ainda baixa a cabeça
Para um velho conhecido
Presidente George Bush
Nazista enlouquecido
Esposo de Toni Blair
Seu amante mais querido
Tem dois cabra logo aqui
Na América Latina
Dando exemplo de atitude
Caindo logo pra cima
Enfrentando os inimigo
E promovendo uma faxina
Um momento por favor!
Pediu então o estudante
Deixe-me falar com o senhor
Antes que o senhor se espante
A promessa que lhe fiz
Não posso levar adiante
Se o que diz for veiculado
Garanto que há o que temer
Depois do primeiro parágrafo
Não sei o que pode ocorrer
Eu só sei de uma coisa
Quem vai preso é eu e você!
Peraí que inda tem mais
Meu caro amigo repórte
Tu disse pra eu falar
Tudinho sem medo da morte
Espero que este apareio
Nem uma palavra me corte
O preconceito é outro tema
Que me deixa arreliado
O branco oprime o negro
O índio e o “aziádo”
Mas não é só o povo branco
Que insiste no caminho errado
O negro também se organiza
Em grupos e movimentos
Nos quais branco não entra
E inda ouve xingamento
Não adianta ser militante
Se for branco ou sardento
E o fumante educado?
Apesar de ser fumante
Não fuma em ambiente fechado
Em respeito ao não fumante
Em respeito á criança
Ao idoso e á gestante
Mesmo assim é hostilizado
Pelo idiota não fumante
A fumaça passa longe
Mas a cara é ultrajante
E ainda diz piadinha
É o preconceito ao fumante
E o carro movido a água
Elétrico, purificado?
E a energia solar
Ao alcance do desempregado?
E a Caprinocultura
Com incentivo do Estado?
Neste momento o estudante
Temendo ser retaliado
Pelo discurso letal
Inocente e detalhado
Desligou o aparelho
Onde estava tudo gravado
Falou a Toin Matuto
Que aquilo já estava demais
Pediu que ele elaborasse
Um finalzinho de paz
Ligou novamente o aparelho
E pôs-se a falar o rapaz
Este foi o desabafo
De um pobre matuto do mato
Um pobre ignorante
Com seu modo de vida nato
Retrato da inconsciência
Que o nordeste é relegado
Agora suas palavras finais
Senhor Toin Matuto
O que tens pra finalizar
Teu discurso tão sisudo
(sussurrou por traz da câmera)
Fale de paz ou fique mudo!
Toin então pegou ar
E falou bem docemente
Ignorante é tua mãe
O teu pai certamente
Da próxima vez que vier
Explique mais claramente
Instrua-me a falar
De passarim e céu azul
De flores e borboletas
Gravatá, mandacaru
E só pra finalizar
Um pacífico TUMÁ NO CÚ!
Olhos de lago faria
São olhos de lago...
Olhos de lago, de alma talvez
Isso! Olhos D’alma!
Fitando longa e fascinante
Olhos deveras serenos
Porém serenos na inquietude
Fazendo-se dona do todo mirado
Buscando ternuras nas almas alheias
Olhos profundos... De lago
Rebelde vermelha de olhos de alma
De élfica fronte, caminho de areia
Areia de olhos azuis... Areia.
Seus olhos se apossam num vôo
Sem curvas... Teus olhos desnudam
Teus olhos passeiam... E levam ao lago.
Tu nem avisas, os teus olhos tomam.
E sem outono e sem outubro
Meus olhos pretos me ofertam
Minh’alma desnuda-se...
E banha-se nos teus olhos de alma
Nos teus olhos de lago.
Quisera fosse tão fôrro Silvano
Num lampejo infante e glorioso
Bradaria aos céus labareda perene
Gritaria n’água desejo de lago
E cantaria dócil teu olhar no meu
posto.
Olhos de lago, de alma talvez
Isso! Olhos D’alma!
Fitando longa e fascinante
Olhos deveras serenos
Porém serenos na inquietude
Fazendo-se dona do todo mirado
Buscando ternuras nas almas alheias
Olhos profundos... De lago
Rebelde vermelha de olhos de alma
De élfica fronte, caminho de areia
Areia de olhos azuis... Areia.
Seus olhos se apossam num vôo
Sem curvas... Teus olhos desnudam
Teus olhos passeiam... E levam ao lago.
Tu nem avisas, os teus olhos tomam.
E sem outono e sem outubro
Meus olhos pretos me ofertam
Minh’alma desnuda-se...
E banha-se nos teus olhos de alma
Nos teus olhos de lago.
Quisera fosse tão fôrro Silvano
Num lampejo infante e glorioso
Bradaria aos céus labareda perene
Gritaria n’água desejo de lago
E cantaria dócil teu olhar no meu
posto.
Aquella que Intoxica
Soy el bardo de ibérico pueblo
Cantante tuyo, skaldo visigodo
Soy la risa de miércoles, enamorado
Ventana abierta con sol por la mañana
Soy montaña y ciervos color a cielo
Cariño y besos de luna siempre blanca
Soy castillo de sueño desde niño
Soy el viento de prosa en salamanca
Guerrillero de dulce poesía
Traigo versos de galaica energía
De las calles por la mañana tan hermosa
Soy el fuego balefire en Pontevedra
Soy la piedra, soy la hiedra
El pueblo de tula, yo soy el pueblo
El pueblo pequeño, pueblo de los hongos
Yo soy y traigo la verdad…
…soy Medbh.
Cantante tuyo, skaldo visigodo
Soy la risa de miércoles, enamorado
Ventana abierta con sol por la mañana
Soy montaña y ciervos color a cielo
Cariño y besos de luna siempre blanca
Soy castillo de sueño desde niño
Soy el viento de prosa en salamanca
Guerrillero de dulce poesía
Traigo versos de galaica energía
De las calles por la mañana tan hermosa
Soy el fuego balefire en Pontevedra
Soy la piedra, soy la hiedra
El pueblo de tula, yo soy el pueblo
El pueblo pequeño, pueblo de los hongos
Yo soy y traigo la verdad…
…soy Medbh.
Caminho das Pedras
Reticências plenas é o sentimento vigente
Vácuo, casulo, crisálida; espera e placenta.
Inodoro caminho pro insípido buraco negro
Espelho de caminho que não se sabe o paradeiro
É anseio metamorfose de casulo neutro
Coisa abjeta que freqüenta o medo
É morte de sorte outra; perímetro indesejável
Com javalis em bravura atados com corda rubra
Intrépidos soldados, castelos fulgurantes
Que nordesteiam, versificando o universo
Divagando... Devagar... Andando.
Independendo e unificando, distribuindo e saciando
Assim é possível algo, mas trago, vate...
Trago um destempero em sol maior
Um dégradé de nanquim em pena branca
Cana, papiro e café com leite.
É só desterro e franca fadiga, insegurança e diversidade
O sentimento é de vislumbre austero, é bacante bacamarte.
Sentimos muito... Nós outros de outrora, pois construímos...
Mas grilhões e efeito moral, entre torturas e celas pretas
Deu-nos o vácuo... Casulo... Crisálida.
Inoperância clássica e imoral permeia os sepulcros caiados
De brim, de seda suas vestes e de pau ferro suas máscaras
Não ouçam as blasfêmias desses hipócritas!
De uma pedra a outra...
Aos pulos...
Chegaremos a algum lugar.
Vácuo, casulo, crisálida; espera e placenta.
Inodoro caminho pro insípido buraco negro
Espelho de caminho que não se sabe o paradeiro
É anseio metamorfose de casulo neutro
Coisa abjeta que freqüenta o medo
É morte de sorte outra; perímetro indesejável
Com javalis em bravura atados com corda rubra
Intrépidos soldados, castelos fulgurantes
Que nordesteiam, versificando o universo
Divagando... Devagar... Andando.
Independendo e unificando, distribuindo e saciando
Assim é possível algo, mas trago, vate...
Trago um destempero em sol maior
Um dégradé de nanquim em pena branca
Cana, papiro e café com leite.
É só desterro e franca fadiga, insegurança e diversidade
O sentimento é de vislumbre austero, é bacante bacamarte.
Sentimos muito... Nós outros de outrora, pois construímos...
Mas grilhões e efeito moral, entre torturas e celas pretas
Deu-nos o vácuo... Casulo... Crisálida.
Inoperância clássica e imoral permeia os sepulcros caiados
De brim, de seda suas vestes e de pau ferro suas máscaras
Não ouçam as blasfêmias desses hipócritas!
De uma pedra a outra...
Aos pulos...
Chegaremos a algum lugar.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Linhas de Gopi
Sinto-me partícula de gota dágua
Que corre solta por entre lisos seixos
Na volúpia impetuosa e cálida
De tuas curvilíneas formas suntuosas
Prenhes de diânico perfume doce e lácteo
Percebo-te como Renoir o faria
Com os mesmos olhos amantes
Mirando-te cada detalhe
Vejo brisa alegrar-se ao tocar teus cabelos
Em carícias deveras sutis e lascivas
Lascivos também os teus olhos
Num querer silencioso e imperativo
Sacro enlace fulgurante e belo
Caricata forma de Beltaine vivo
Albo dorso, véu atlante qual quimera
E fera dona de carícias e antítese em terra
Ela encerra em seu dorso o universo
Verso uno de aroma imperecível
Traz os traços femininos do indizível
Em sabores e tons de cor de pele
Em curvas linhas de Gopi encantadora
Sou um sátiro á cantar-lhe a corte
Sou poeta tentando definir-te
Eu sou filho da carícia e do açoite.
Que corre solta por entre lisos seixos
Na volúpia impetuosa e cálida
De tuas curvilíneas formas suntuosas
Prenhes de diânico perfume doce e lácteo
Percebo-te como Renoir o faria
Com os mesmos olhos amantes
Mirando-te cada detalhe
Vejo brisa alegrar-se ao tocar teus cabelos
Em carícias deveras sutis e lascivas
Lascivos também os teus olhos
Num querer silencioso e imperativo
Sacro enlace fulgurante e belo
Caricata forma de Beltaine vivo
Albo dorso, véu atlante qual quimera
E fera dona de carícias e antítese em terra
Ela encerra em seu dorso o universo
Verso uno de aroma imperecível
Traz os traços femininos do indizível
Em sabores e tons de cor de pele
Em curvas linhas de Gopi encantadora
Sou um sátiro á cantar-lhe a corte
Sou poeta tentando definir-te
Eu sou filho da carícia e do açoite.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
In Memórian
Confrade Radiante
(Para Josafá Maia da Costa)
Qual espectro, azul e florescente
Num lampejo de aurora fulgurante
Eis então este lorde triunfante
De centelhas de amores gloriosos
Sertaneios de galopes não ditosos
Num versejo de alhures ruminado
Cavalgando um martelo agalopado
Sendo simples com seus olhos de brilhante
Vira estrela meu confrade radiante!
Nos mistérios deste céu todo estrelado.
Sejas sempre moleque amalucado
Com rompantes de ode declamada
Seja pétala de sonho amalgamada
E regalo de amores suntuosos
Num repente de riachos caudalosos
Seja pedra por Baco edificada.
Sinto falta da letra rabiscada
Um poema de lirismo qual infante
Num remoto atual rápido instante
Mais um brilho nesta noite estrelada.
Verso lasso num compasso diamante
Desmantelo de cenário e nevoeiro
Sentimento de um rastro forasteiro
E tristeza do vazio já dominante
A presença me faz falta doravante
Desde o olho cruzado então primeiro
Tire este meu coração de tal aceiro
Antes que a tristeza nossa então me mate.
Temo que não me socorra amigo vate
Caso eu precise do teu paradeiro.
Luar do Conselheiro.
(Para Josafá Maia da Costa)
Qual espectro, azul e florescente
Num lampejo de aurora fulgurante
Eis então este lorde triunfante
De centelhas de amores gloriosos
Sertaneios de galopes não ditosos
Num versejo de alhures ruminado
Cavalgando um martelo agalopado
Sendo simples com seus olhos de brilhante
Vira estrela meu confrade radiante!
Nos mistérios deste céu todo estrelado.
Sejas sempre moleque amalucado
Com rompantes de ode declamada
Seja pétala de sonho amalgamada
E regalo de amores suntuosos
Num repente de riachos caudalosos
Seja pedra por Baco edificada.
Sinto falta da letra rabiscada
Um poema de lirismo qual infante
Num remoto atual rápido instante
Mais um brilho nesta noite estrelada.
Verso lasso num compasso diamante
Desmantelo de cenário e nevoeiro
Sentimento de um rastro forasteiro
E tristeza do vazio já dominante
A presença me faz falta doravante
Desde o olho cruzado então primeiro
Tire este meu coração de tal aceiro
Antes que a tristeza nossa então me mate.
Temo que não me socorra amigo vate
Caso eu precise do teu paradeiro.
Luar do Conselheiro.
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